Boas,
Eu adoro pequenada, sinto-me em casa, porque eu sou basicamente igual a eles, com a infeliz diferença de não poder dizer e fazer tudo o que me dá na pinha.
Desde pedidos de abraços, mostradelas de língua ás escondidas, momentos de euforia, toques de cumplicidade, segredos, (ainda esta semana tive uma reveladora confissão de -" O meu papá cheira mal dos pés!" - True Story), mas acima de tudo, uma imediata empatia mútua, muitos foram e serão os momentos vivido e por viver com estes seres de palmo e meio.
Lembro-me de uma menina que á frente da sua mãe parecia um bicho do mato não abrindo a boca nem exprimindo quaisquer emoções para comigo, mas que por detrás da mãe me brindava com "likes" e risinhos de mão na boca - uma delícia.
Outra, que resolveu tirar o laço do cabelo e com quem me meti dizendo - "Agora despenteaste o outro lado" - indo muito afoita mirar-se ao espelho para perceber onde estava mal.
Também os gritos, correrias, birras, choradeiras e afins fazem parte do quotidiano de quem no retalho trabalha, tendo nestes casos, muitas vezes de substituir os pais, que, ou domados por uma vergonha sem razão de ser, ou por simples incapacidade, falham em chamar á realidade os seus rebentos.
Admiro também o facto destes pequenos clientes não terem ainda ligado o "complicómetro etário", algo que se ganha quando chegamos á idade adulta. em que temos sempre a tendência idiota de fazer um enorme filme para as situações mais simples.
Eles não têm sequer concebido o estigma de "O que é que os outros vão pensar?", gostam ou não e pronto.
Tenho pena de só nos conseguirmos livrar deste estigma novamente, já bem entradotes, onde a expressão "não gostas, não olhes" passa a fazer parte do nosso vocabulário.
É por estas e por outras, que me considero um "Polícia no Jardim-Escola", não em modo Schwarzenegger, qual robô amolecido por afirmações épicas como "os homens têm pénis e as mulheres vaginas", mas mais do tipo Mr Bean, alguém que se dá bem com os pequenotes, porque no fundo deseja apenas ser um deles para sempre.

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