Boas,
O post de hoje fala-vos de alguém que todos que trabalham no atendimento ao público conhece muito bem - o amigo do cliente, mais conhecido por Melga.
O melga, tal como no filme, é o emplastro que vem colado no cliente e que tem o dom de, sabe-se lá porque razão, influenciar a decisão de compra do cliente.
Tenho a certeza absoluta que existe um propósito escondido nas atitudes do melga, sendo que esse propósito é o de boicotar a venda colocando entraves e objecções, que o próprio cliente, não se lembrou de colocar, igualando assim o nível de dificuldade da venda, por vezes, praticamente á capacidade de pilotar um veículo orbital.
Para aqueles que pensam que o Melga é só um conhecido/amigo de circunstância, ou até alguém que o cliente arranjou para lhe fazer companhia, desengane-se. O melga é um meta morfo e pode assumir a forma de pai, mãe, namorado, marido,esposa ou até de toda uma família. Não é uma entidade, é uma condição.
Bem, não estou com isto a dizer, que sempre que me entra um cliente acompanhado, quem o acompanha é o Jim Carrey e que nos vai fazer a vida negra...se bem que ás vezes falta pouco.
Uma dessas vezes passou-se já no meu presente local de trabalho, logo na abertura da loja.
Nesses dias, como tudo era novidade, ainda não estava familiarizado com o cliente tipo, por isso estava, digamos, daltónico das ideias.
O batismo foi, como não podia deixar de ser á grande, com toda uma família de Melgas que vinham acompanhar a filha/neta/irmã.
A cliente necessitava de um calçado para o trabalho, mais propriamente para ambiente hospitalar, o que reduz drásticamente as opções de compra, até mesmo por regras impostas.
"Bem"-digo-lhe-"Nesse caso temos estes aqui, que é o que normalmente os clientes levam para esse tipo de serviço."-"Ui! Que coisa feia filha! pareces uma pata choca!"-diz-lhe de imediato a avó- "se engolisses uma enguia eléctrica é que era velha", pensei eu. "Acha avó?Mas são muito confortáveis","Ouve a tua avó"-diz-lha a mãe, "sim, ouve a velha, que a única coisa que opina com razão é na marca de todos os medicamentos da farmácia", pensei eu já com uma azia considerável.
Nesta altura, antes que mais um membro desse uma opinião tão construtiva como as que tinham sido proferidas, resolvi intervir - "Bem, nada contra os gostos pessoais, mas a menina é que os vai usar, não é?"
"-Sim de facto! E eu gosto!", "Gostas?!Tu é que sabes! Depois não me peças para cá voltar!"- responde-lhe o pai.
Nesta altura penso, "Fonix, mas isto é um filme da Disney? Só falta o corcunda de Notredame", quer dizer, na realidade não faltava, porque o avô estava sentado lá fora com o neto mais novo.
"-Não há qualquer tipo de problema, se mudar de ideias, pode trocar ou devolver!tudo tem uma solução!"-"Então assim fico mais descansada!Eu levo!Até porque gosto!"
E pumba! Vendedor - um, Família Fezes Cerebrais - zero! Vai buscar!

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