Boas,
O post de hoje leva-nos ás origens, ao momento em que aquela faísca se acende no teu peito. Quando ficas com borboletas no estômago, quando não sabes o que dizer, como reagir, mas gostas, gostas de tudo e queres absorver cada gota e cada momento - o meu primeiro dia de trabalho nas vendas.
Estávamos em 1998 e eu, já no segundo ano dos meus estudos, impulsionado pela minha namorada, hoje esposa, decidi arranjar um emprego.Já tinha trabalhado antes como estagiário num escritório, mas nada me tinha preparado para aquilo.
Na altura sinceramente pensei no trabalho, como forma de começar a ganhar dinheiro, algo transitório, pois pretendia fazer carreira em televisão, no teatro, na música ou no cinema, áreas com as quais o curso se relacionava directamente e que sempre foram a minha paixão. Por isso, quando fui chamado para uma entrevista, numa grande superfície e me perguntaram se ficasse para onde gostava de ir, respondi - "Para a secção de queijos"- isto apenas porque adoro queijo e portanto, era a única coisa que me ligava aquele lugar.
Fui parar á secção de informática, porque cresci junto com o boom dos computadores pessoais, ( o meu primeiro PC foi um Comodore 64) e tinha posto no currículo que percebia de informática.
No dia 6 de Maio de 1998 entro ao serviço, estava nervoso, muito nervoso, tão desconfortável como se sentiu o Harry na famosa cena do restaurante do filme, mas ao mesmo tempo, maravilhado.
O meu chefe apresentou-me a uma promotora, a D Clarinda, representante da marca DLI, que era como uma chave inglesa, se querias algo, ou saber como era, perguntavas á Clarinda. Mandou-me contar jogos e eu agradeci, (ao ponto de passados todos este anos me lembrar de códigos de barras completos), porque a ideia de atendimento ao público me aterrorizava.
Não durou muito! Durante a tarde veio-me chamar -"Hugo, não podes ficar metido no armazém o dia todo! Há pessoas para atender!" - há pessoas para atender - foi como me dissesse " A sua consulta para o toque rectal é hoje!". Nem tive tempo para respirar, pois quando saio do armazém está um cliente á porta que me diz - "Venha cá que preciso de ajuda!"- exacto! Nem bom dia, boa tarde, ou, é desta secção...nada, nem aqueceu, foi " anda cá moço, que das tuas costas trato eu"! Sim das costas, porque o meu primeiro atendimento ao cliente foi na secção de móveis a alombar com um camiseiro até á caixa.
Mas a verdade é que quando regresso da caixa e chego á minha secção era um tipo novo, a conversa circunstancial que mantive com o cliente do linear até á caixa e o seu "Obrigado pela a sua ajuda!", foram como que um baptismo, que me libertou do terror do atendimento, para passar a encarar cada abordagem como uma conversa e este tem sido mote até aos dias de hoje. Cada cliente é para mim como que um amigo que não se vê há muito tempo, portanto, na hora da abordagem a energia é canalizada nesse sentido, como se visses o teu amigo da primária pela primeira vez desde há dez anos e lhe dissesses " Anda cá sacana! Dá-me um abraço ganda porco!"- eu sei... os homens tratam-se mal uns aos outros, mas o grau de maledicência é equivalente ao afecto sentido, não se esqueçam.
É por isso, foi por este motivo, que, "Quando Hugo conheceu as Vendas", se tornou no filme mais longo da minha vida.

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