terça-feira, 2 de maio de 2017

Che - A revolutionary life

 Boas,

 Seguindo a sugestão de uma amiga, o post de hoje fala de um dia que representa uma conquista da sociedade moderna, mas que do ponto de vista de alguém que trabalha em retalho é vivido de uma forma completamente diferente.
 Falo-vos do 1º de Maio. 
 Não é que Che Guevarra tivesse algo a ver com a implantação do dia, ele tinha mais queda para golpes militares na América do Sul, tal como podemos ver no filme, brilhantemente interpretado por Benicio Del Toro. Só que, se um tipo fala em revoluções o Che está lá! O 1º de Maio foi de facto obra de um cérebro colectivo de trabalhadores que, queriam entre outras coisas, um dia só seu. 
 Ora bem, tal qual como Che falhou em implantar o Comunismo em toda a América Latina os trabalhadores, falharam em conseguir um dia só para si. Quero com isto dizer, que embora tenham conseguido jornadas de trabalho de oito horas, ordenados mínimos, folgas etc, falhou no mais importante, na transformação de mentalidades.
 Portanto, com isto em mente, o que fazer, quando não trabalho porque é feriado? Descansar? Passear?Um piquenique? Um filme?TV?Dolce fare niente? Não, vou ao shopping.


 Se o Che trabalhasse em retalho, no 1º de Maio viria trabalhar provavelmente, munido de uma AK47 e carregador duplo, pois se aos Domingos há tipos estranhos ás compras, neste dia especificamente, ultrapassam os limites, pois fazem lembrar o companheiro Fidel, mas não nos seus dias de luta e sim nos discursos infindáveis do fim da sua vida activa.
 Ainda ontem tive uma vontade imensa de mandar umas granadas para o campo de batalha quando três famílias tomaram de assalto a loja. 
 Uma das famílias, de origem Espanhola, tinha um filhote com o vocabulário de uma Catatua no cio, repetindo incessantemente -"NO!NO!NO!"- , mesmo depois de sair da loja ainda o podia ouvir no corredor, isto, não sem antes o pai se virar para a mãe e lhe dizer -"Mas porque sigues perguntándole sí le gusta?La única cosa que te contesta és "no"!"Que hostia de gilipollas eres?!"- bem, não sei se a mãe era uma idiota imbecil como o pai acabava de insinuar, mas que o filho tinha meses a menos no ano...lá isso tinha. 
 As outras duas famílias, entretanto digladiavam-se para ver quem conseguiria experimentar mais modelos, tombando dois, sempre que queriam experimentar mais um. 
 Respirei fundo e olhei fixamente para um dos miúdos que atirava dois pares ao ar, o qual olhando para mim sentou-se e ficou mudo. Tive nesse momento a certeza que a AK47 tinha disparado, porque se o petiz tinha fralda, certamente fez uso dela naquele instante.
 Diz-me um familiar - "Sabe como são as crianças não é?" - eu pensei comigo, "sim sei, mas isto não são crianças, são guerrilheiros do Hezbollah a lutar pela faixa de Gaza e nós não estamos em Israel".
 "-Sim, eu sei..." - respondi-lhe - "Olhe que há dias piores!"- "Ah sim?Piores"Che ondes andas meu?

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