terça-feira, 4 de abril de 2017

Swiss Army Man

 Boas,

 O post de hoje fala-vos de algo que um candidato a trabalhar em retalho tem de ter plena consciência, a palavra polivalência tem de ser o pilar do seu ser. Tem de ser como um canivete Suíço, um Swiss Army Man, preparado para todos os desafios. 
 Senão vejamos, existe algum outro tipo de emprego em que, logo na entrevista te seja colocado um certo tipo de perguntas/condições do género:
 - Tem disponibilidade de horário para trabalhar por turnos?
 - Existe flexibilidade para folgas rotativas?
 - É pro-activo/a?
 Quando te bombardeiam com isto e ainda nem sequer começas-te a trabalhar, tens de ter a plena noção de que o que o anúncio dizia - "Gostas de vendas, de lidar com o público e trabalhar numa equipa jovem e ambiciosa?" - é mais na verdade - "Sentes-te pressionado com números, safas-te com anormais e aguentas fazer todo o tipo de tarefas?".


 Mas é isto mesmo que fascina quem cá trabalha. Tal como no espetacular filme "Swiss Army Man", que nos diz que é nos momentos mais difíceis que a amizade, o companheirismo e a entre-ajuda pode até transformar um ser humano numa especie de canivete Suíço, em retalho é na adversidade, nos desafios e naquele cliente difícil que domamos, que está a diferença e a quebra com um emprego convencional das nove ás cinco, no qual sabemos á priori a tarefa a realizar e que é a mesma do dia anterior e provavelmente, igual á de amanhã.
 Trabalhar em retalho é saber que ser o melhor não chega, porque existe algo que se chama - "Processo de Melhoria Contínua" - traduzido por miúdos para - "Esfalfa-te, Esfola-te, Consegues melhor" - em que és levado a ser constantemente ultrapassado por ti mesmo.
 Embora, em abono da verdade, existam momentos em que secretamente se deseje uma secretária com um computador e processos para despachar iguais ao do dia anterior, a verdade é, que no final já não sabemos o que é trabalhar sem um objectivo e de olhar para trás e ver que para te bater a ti próprio, tiveste de te reinventar constantemente dentro de um sistema já inventado.
 No final do dia o que fica, mesmo tendo lidado com um fulano ou outro mais difícil, são os sorrisos de todos os outros e a vontade de voltar amanhã e fazer melhor.


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