domingo, 9 de abril de 2017

The Revenant

 Boas,

 O post de hoje fala sobre um tema que NÃO é querido, a quem nas vendas trabalha. Falo das devoluções.
 As devoluções eram algo que afligia comerciantes num passado não muito distante, quase tanto como o Livro de Reclamações, do qual falarei num futuro post. Não é que estejamos no Estados Unidos da América no séc XIX a comercializar peles como o Leonardo Dicaprio em "The Revenant", continuam a afligir sim, mas por motivos diferentes, se não vejamos.


 Quem trabalha em vendas gosta do acto de vender, da sensação que se obtém quando convences alguém com argumentos de que, AQUELE é o produto e ESTA é a loja em que o deves comprar. 
 Não gosta, contudo, do acto inverso, da devolução. É como se o trabalho tido fosse desperdiçado, como se te dissessem que "o produto que me vendeste não é suficientemente bom para eu ficar com ele". Isto, está claro, quando se tratam de devoluções feitas por pessoas dentro dos parâmetros daquilo que vulgarmente apelidamos de Homo Sapiens. 
 A questão está, quando a razão para a devolução, ultrapassa A Razão e o cliente pertence a outra espécie. Isto é, por exemplo, quando alguém te aparece á frente e te diz que quer devolver um artigo de higiene íntima, que -"só usou por dez minutos, mas, não se adaptou" - o que dizer? Algo do género "Olhe, já tomou os comprimidos, ou o salão de festas vai continuar sem musica?".
 Ou quando te pedem o dinheiro de volta de um frango comprado na véspera pois - "não estava saboroso" - apresentando-te os ossos do mesmo, o que dizer-lhe também? Talvez... - " Sim senhor, só tem de tomar este laxante, porque o artigo tem de ser devolvido na totalidade"
 Existe ainda o célebre "Olhe, venho devolver porque me deram uns iguaizinhos" - que coincidência...milhões de artigos e deram-te uns exactamente iguais, o quer dizer portanto, que o facto de ser meio do mês e não teres um duro na carteira não tem nada a ver...claro.
 A minha questão aqui é esta. Se não queres o artigo, seja lá porque razão fôr, não dês desculpas, não trates o funcionário da loja como um debiloide, não o subestimes, porque ele já ouviu essa desculpa um milhão de vezes.
 Era como se os tipos que deixaram o Leonardo Dicaprio á sua sorte, voltassem e lhe dissessem -"Desculpa lá que a gente deixou-te aqui e matou-te o filho por engano, pensávamos que era um urso!"

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