Boas,
O post de hoje fala-vos da luta perpétua que existe na comunicação, (ou falta dela), entre lojista e cliente.
Gosto de História, de enigmas e descobrir o passado para entender o presente e poder conjecturar sobre o que pode vir aí. Nunca pensei que este meu gosto por devorar tudo o que é documentário, séries e filmes com carácter histórico, me fosse tão útil no dia a dia.
Senão, vejamos, tal qual como no "Código Da Vinci" em que uma versão alternativa da história de Cristo nos é apresentada e que, para chegar ao fundo da mesma, é preciso decifrar um código, também em retalho é preciso decifrar o "Código Da Vida" sobre o qual se regem os clientes que falam conosco e esperam que os entendamos e cumpramos s seus desejos.
Quer dizer, seguramente que, se o Ian Brown alguma vez pensou em lojas quando escreveu o livro, foram, quando muito, lojas maçônicas, mas a verdade é que, fruto da necessidade adaptativa, quem em comércio trabalha tem de ter uma percepção especial, para perceber o cliente, ao estilo de - "olhe preciso de uma coisa, mas não sei bem o quê!" - assim, o códice que desenvolvemos, tornou-se indispensável a distinguir clientes, de brolhos que entram na loja para te provocar um cataclismo cerebral.
A busca pelo Santo Graal dos clientes é um mito ainda maior, do que o possível facto de Maria Madalena ter sido a esposa de Jesus. Atestando isto está o caso que os passo a relatar.
Há algum tempo, trabalhava eu numa grande superfície, quando fui chamado ao Serviço Pós Venda, devido a uma reclamação.
Ao telefone dizem-me que o cliente está muito alterado. Ora bem, quem trabalha em retalho sabe que o SPV é a secção "inferno" da loja, (falarei dele detalhadamente num outro post), de tal modo underground, que, as companhias tendem a colocá-las o mais longe possível da placa de vendas. Por isso, quando és chamado a dar uma mãozinha, é sinal que o caldo já entornou, chapinou e cai pelas paredes abaixo.
Quando lá chego, sou brindado com - "É voçê?É voçê que me vai resolver isto? Se não é ponha-se a andar!" - Ora bem eu, estudioso do códice, respondi - Vou fazer o meu melhor, o que se passa então?"-"O que se passa? O que se passa é que o meu filho comprou este jogo sem a minha autorização!" - "Mau..." pensei, "...mas isto é o SPV ou o Tribunal de Menores?"- "Como?!?" Pergunto-lhe. "Não percebeu, é Burro? Estou-lhe a dizer que o meu filho gastou 60 euros num jogo para o computador e agora quero devolver!"
" Sim, entendi á primeira, mas segundo vejo no ticket, foi comprado á um mês e está usad...""Claro!!!"- interrompe-me -" SE o miúdo o comprou foi para jogá-lo, só que eu não quero." - espera lá deixa lá ver se o Cuco já deu as horas ou lhe falta corda, o teu filho palmou-te 60 paus e estouro-os e tu agora chamaste o ISIS e queres detonar o SPV porque isto não é a Santa Casa e eu não sou o Pedro Santana Lopes?
"Mas... o que o senhor nos pede, não é possível, mesmo que quiséssemos passar por cima do prazo o jogo já foi aberto e devido aos direitos de autor não é possível devolver..." Aí não?!?!"" A vida de um lojista é um policial - "Vou chamar a polícia!" não é uma expressão estranha a tantos assim, se bem que na maioria dos casos em que se é ameaçado com a autoridade, os papeis de lesado e prevaricador, seriam certamente invertidos. Por isso quando a frase saiu, não me abalou nada, ao que respondi - "O Sr é que sabe, está no seu direito, mas tendo em conta a situação, nada vai se vai alterar!"- Vocês são uns aldrabões! E tu (o filho), quando chegares ao carro já sabes!"
Não sei se soube ou não, provavelmente até foi na viagem de finalistas mandar-se do balcão para a piscina. Eu é que já estava na minha hora de almoço e apetecia-me cabrito porque era Páscoa.
A busca pelo Santo Graal dos clientes é um mito ainda maior, do que o possível facto de Maria Madalena ter sido a esposa de Jesus. Atestando isto está o caso que os passo a relatar.
Há algum tempo, trabalhava eu numa grande superfície, quando fui chamado ao Serviço Pós Venda, devido a uma reclamação.
Ao telefone dizem-me que o cliente está muito alterado. Ora bem, quem trabalha em retalho sabe que o SPV é a secção "inferno" da loja, (falarei dele detalhadamente num outro post), de tal modo underground, que, as companhias tendem a colocá-las o mais longe possível da placa de vendas. Por isso, quando és chamado a dar uma mãozinha, é sinal que o caldo já entornou, chapinou e cai pelas paredes abaixo.
Quando lá chego, sou brindado com - "É voçê?É voçê que me vai resolver isto? Se não é ponha-se a andar!" - Ora bem eu, estudioso do códice, respondi - Vou fazer o meu melhor, o que se passa então?"-"O que se passa? O que se passa é que o meu filho comprou este jogo sem a minha autorização!" - "Mau..." pensei, "...mas isto é o SPV ou o Tribunal de Menores?"- "Como?!?" Pergunto-lhe. "Não percebeu, é Burro? Estou-lhe a dizer que o meu filho gastou 60 euros num jogo para o computador e agora quero devolver!"
" Sim, entendi á primeira, mas segundo vejo no ticket, foi comprado á um mês e está usad...""Claro!!!"- interrompe-me -" SE o miúdo o comprou foi para jogá-lo, só que eu não quero." - espera lá deixa lá ver se o Cuco já deu as horas ou lhe falta corda, o teu filho palmou-te 60 paus e estouro-os e tu agora chamaste o ISIS e queres detonar o SPV porque isto não é a Santa Casa e eu não sou o Pedro Santana Lopes?
"Mas... o que o senhor nos pede, não é possível, mesmo que quiséssemos passar por cima do prazo o jogo já foi aberto e devido aos direitos de autor não é possível devolver..." Aí não?!?!"" A vida de um lojista é um policial - "Vou chamar a polícia!" não é uma expressão estranha a tantos assim, se bem que na maioria dos casos em que se é ameaçado com a autoridade, os papeis de lesado e prevaricador, seriam certamente invertidos. Por isso quando a frase saiu, não me abalou nada, ao que respondi - "O Sr é que sabe, está no seu direito, mas tendo em conta a situação, nada vai se vai alterar!"- Vocês são uns aldrabões! E tu (o filho), quando chegares ao carro já sabes!"
Não sei se soube ou não, provavelmente até foi na viagem de finalistas mandar-se do balcão para a piscina. Eu é que já estava na minha hora de almoço e apetecia-me cabrito porque era Páscoa.

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